SALARIÔMETRO (FIPE) e CAGED – Outubro 2021

Com as seguidas altas dos índices de inflação medidos pelo INPC, o Salariômetro (FIPE) segue indicando reajustes reais negativos, com a mediana significativamente afastada da correção da inflação. Em agosto, o INPC alcançou o acumulado de 10,42% (clique aqui para DOWNLOAD) e a prévia da inflação de outubro já indica uma alta ainda maior. Assim, nas negociações com data-base em agosto, apenas 9,5% registraram reajuste superior ao INPC e 23,5% igual ao índice.

Em setembro, mais uma vez o Brasil teve saldo positivo na geração de empregos, com 313 mil novos postos de trabalho, segundo o Caged. Com isso, já ultrapassou 2,5 milhões de empregos gerados em 2021. O Desemprego apresenta queda com crescimento também da ocupação informal.

NEGOCIAÇÕES EM SETEMBRO DE 2021

Diante da alta da inflação acumulada em 12 meses para 10,42% (INPC agosto/2021), os dados mostram que em setembro de 2021 as negociações já fechadas com data-base no mês tiveram a mediana de reajuste de 1,9 ponto percentual (p.p.) abaixo da inflação. Entretanto, apenas 33 CCTs e 107 ACTs com data base em setembro e com cláusulas de reajustes foram celebradas no país e depositadas no Sistema Mediador.

Com o fechamento de mais instrumentos coletivos referentes a meses anteriores, a mediana dos reajustes concedidos nas negociações com data-base em agosto reduziu de 1,4 (apreseNtado no informe passado) para 0,9 ponto percentual (p.p.) inferior ao INPC.

Olhando a trajetória dos últimos 12 meses, com as dificuldades para fechar acordos coincidentes com a inflação, e em razão dos orçamentos das empresas não terem previsto correções tão elevadas, muitos sindicatos seguem aceitando reajustes abaixo do INPC. Assim, todos os meses de 2021 seguem sem registrar reajustes acima da inflação.

Observando o consolidado dos últimos 12 meses, 27,5% das negociações apresentaram reajuste acima da inflação; 30,9% foram coincidentes com a inflação e 41,6% abaixo desta. Parte dos reajustes acima da inflação ocorreu quando a inflação estava mais controlada.

Em setembro de 2021, apenas 9,5% das negociações concluídas apresentaram reajuste acima da inflação.

No boletim divulgado pelo Salariômetro (FIPE) também estão disponibilizadas outras informações relativas às negociações coletivas com data-base em agosto já concluídas:

•        O mês de setembro completa uma série de 12 meses com negociações sem a concessão de aumento real.

•        Os setores de “Gráficas e editoras” e “Artefatos de borracha” foram os únicos a registrarem reajuste mediano real positivo no mês de setembro.

•        Os estados do Amapá e de Minas Gerais registraram reajuste mediano real acima da inflação em setembro.

Outra análise do Salariômetro indica que os valores medianos do vale-alimentação e do vale-refeição têm sofrido quedas desde 2014. Essa queda é maior especialmente nas Convenções Coletivas. A queda tem se acentuado após a Reforma Trabalhista. Em relação ao início da série, havia uma maior diferença entre os valores medianos concedidos em relação a convenções e acordos.

Projeção da Inflação – O Salariômetro também traz a projeção do INPC para as próximas datas-bases dos bancos Santander e Itaú.

O Itaú projeta uma inflação acima dos 10% até dezembro de 2021. O Santander projeta uma queda regular da inflação entre outubro (10,8%) e janeiro/2022 (9%). Esses bancos prevêem relativa estabilidade entre janeiro e maio de 2022, seguida de uma queda, chegando a 5,4% (Santander) e 5,5% (Itaú) em setembro de 2022.

Brasil abre mais de 313 mil vagas em setembro

Dados do Caged apontam que o Brasil abriu 313.902 vagas em setembro de 2021. O setor de Serviços foi que mais criou vagas (143.418), enquanto a Indústria obteve a maior variação relativa (0,95%). Os demais setores também registraram saldo positivo no mês.

O resultado para o mês registrou a nona alta consecutiva. O valor registrado sinaliza uma estabilidade em relação a setembro de 2020 (313.564).

Em relação aos meses anteriores, o saldo de empregos formais segue crescendo. Observou-se 1,7 milhão de contratações em setembro de 2021, o que representa uma queda de 2%, na comparação com agosto de 2021, e uma alta de 21,8% na comparação com setembro de 2020.Com o resultado, o ano chega a um saldo de 2,5 milhões de empregos criados, um desempenho superior a todos os últimos anos, conforme gráfico abaixo:

O mês de setembro de 2021 tem alguns destaques:

•        Todos os setores voltaram a registrar saldo positivo de empregos. O setor de Serviços (143.418) foi o que mais gerou vagas. A Agropecuária foi o setor que menos gerou vagas no mês (9.084).

•        Todas as Unidades da Federação geraram emprego. As unidades com maior saldo positivo relativo foram Alagoas (4,73%); Sergipe (2,2%) e Pernambuco (2,01%).

•        O trabalho intermitente registrou saldo positivo de 8.756 postos, enquanto o trabalho em regime parcial registrou saldo positivo de 5.858.

•        Os desligamentos por comum acordo foram 18.825. Isso representa 1,31% do total de desligamentos.

O acumulado no ano de 2021 tem alguns destaques:

•        Todos os setores registraram saldo positivo de empregos. O setor de Serviços (1,7 milhão) é o que mais tem gerado vagas. A Agropecuária é o setor que menos gerou vagas no período (195.467).

•        Todas as Unidades da Federação têm saldo positivo de vagas. As unidades com maior saldo positivo relativo são: Acre (8,37%); Santa Catarina (8,18%); Pará (7,97%) e Tocantins (7,96%).

•        O trabalho intermitente registra saldo positivo de 61.519 postos, enquanto o trabalho em regime parcial registra saldo positivo de 35.742.

•        Os desligamentos por comum acordo, até o momento, foram 156.004 (tem um zero a mais, Bob?). Isso representa 1,26% do total de desligamentos já realizados no ano.

O IBGE também divulgou os dados da Pnad Contínua do trimestre encerrado em agosto. Entre os destaques:

•        A taxa de desocupação fechou o mês em 13,2%. Registrando uma queda constante desde abril de 2021.

•        A taxa de participação na força de trabalho tem registrado sucessivas altas desde abril de 20211, chegando a 58,6%.

•        O nível de ocupação chegou a 50,9%, reestabelecendo o nível de abril de 2020.

Fonte: FENAERTsecretaria@fenaert.org.br

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