Falar sobre o RDS (Radio Data System) não deveria ser um “bicho de sete cabeças” para as emissoras de rádio brasileiras que operam em FM, afinal seu desenvolvimento data ainda da década de 1970, início dos anos 1980, na Europa, pela EBU (European Broadcasting Union) e sua padronização nos anos 2000.
Apesar de ser uma tecnologia conhecida, ela não é muito utilizada, o que gera uma grande perda, já que de acordo com pesquisas recentes, 27% dos ouvintes escutam rádio no carro. O RDS complementa, nestes dispositivos, a transmissão do FM, ao permitir que informações digitais sejam transmitidas junto com o áudio, como o nome da música que está tocando, textos, frequência e outras informações, mas além disso, por meio do recurso AF, a troca automática para outra frequência da mesma rede quando o sinal estiver mais fraco.
“Essa funcionalidade é muito interessante para o ouvinte e estratégica para as emissoras, afinal conforme o ouvinte se afasta do sistema irradiante, o sinal fica com menor intensidade e outra emissora da mesma rede, com maior intensidade, pode ser reconhecida e realizar a troca automática, sem que o usuário perceba, dando uma sensação de nunca perder o sinal da emissora sintonizada”, explica o diretor técnico da Aerp, Marco Lang.
Com a evolução do rádio e o conceito de Rádio 3.0, o RDS passa a ser mais uma ferramenta de integração do rádio tradicional com novas tecnologias, plataformas e dispositivos. Assim como existe a TV 3.0, que apresenta uma nova concepção de como fazer uma televisão de ponta a ponta, há também uma nova denominação para o rádio: o Rádio 3.0, onde o áudio é a matriz, operando em conjunto com múltiplas plataformas, dispositivos e formatos, formando um sistema com competitividade no mercado.
Durante o Aerp Day, realizado junto ao IBC 2026, em Amsterdam (Holanda), o especialista e consultor em FM, Cristiano Stuani, apresentou o RDS como uma das ramificações do Rádio 3.0, colocando a tecnologia no mesmo patamar do Rádio Híbrido, portais, e redes sociais, por exemplo. Dentro deste contexto, o diretor técnico da Aerp, alerta para a importância da definição de critérios claros para a utilização do código PI, necessário para a ativação do RDS, evitando que duas emissoras diferentes utilizem o mesmo identificador e causem confusão nos receptores, em especial os rádios dos automóveis. “A organização, bem como a regulamentação desse recurso são extremamente importantes para que o RDS possa ser utilizado de forma correta e harmônica por todas as emissoras”, justificou.
Atualmente, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) está estudando a melhor forma para adotar critérios sólidos, para que haja uma harmonização na utilização dessa tecnologia. Um dos grandes problemas, segundo Marco Lang, é que hoje alguns radiodifusores não sabem qual número de PI utilizar na configuração do sistema e por isso podem acabar, de boa-fé, prejudicando outra emissora que já utilizava este PI. “Isso pode fazer com que o receptor, principalmente o rádio do automóvel, se confunda e capture o sinal mais forte quando duas emissoras utilizam o mesmo PI”, justificou.
Uma das soluções possíveis, seria a inclusão na ficha do Sistema Mosaico da Anatel um espaço destinado para inclusão de PI específico para cada emissora. Entretanto, este, por sua vez, ainda não pode ser inserido, pois ainda não há regulamentação da utilização do serviço. Atualmente, utiliza-se um PI “livre”.
Durante a SET Expo 2026, realizada em São Paulo, o coordenador de processos da ORLE da Anatel, Dr. Eng. Oseias Fonseca de Aguilar, falou sobre a possibilidade de cada emissora possuir um único prefixo, que poderia ser transformado em um número hexadecimal, que seria lido pelo equipamento, e desta forma não haveria problemas de duas emissoras utilizarem o mesmo PI.
Ao mesmo tempo, há outras formas e métricas que estão atualmente em debate para definir qual a melhor forma a ser utilizada. Enquanto isso não ocorre, cabe ao radiodifusor respeitar os critérios existentes e utilizar a tecnologia de forma responsável, observando o critério cronológico da implementação desta tecnologia, ou seja, de quem chegou antes.