Salariômetro (FIPE)

O Salariômetro (FIPE) indica que nas negociações com data-base em abril, apenas 14% registraram reajuste superior ao INPC e 26,4% igual ao índice. Esse baixo índice de negociações com ganhos reais é reflexo principalmente das consecutivas altas da inflação medidas pelo INPC, que em março havia alcançado o acumulado de 6,9% (clique aqui para DOWNLOAD).

Em abril, apesar da demora na reedição do programa de suspensão de contrato e redução de jornada/salários, o Brasil surpreendeu novamente com a abertura de 120 mil vagas de trabalho, segundo o Caged. O resultado positivo se contrapõe ao fechamento de vagas ocorrido em abril de 2020, fortemente impactado pela pandemia.

NEGOCIAÇÕES EM ABRIL DE 2021

Em um cenário de incertezas sobre a recuperação econômica e diante da alta da inflação acumulada em 12 meses para 6,9% (INPC março/2021), os dados mostram que em abril de 2021, as negociações já fechadas com data-base no mês tiveram a mediana de reajuste de 0,9 ponto percentual (p.p.) abaixo da inflação.

 Ao contrário da dinâmica habitual, quando novas negociações eram registradas em suas respectivas datas-base e o reajuste real crescia, observou-se neste mês que os dados relativos às datas-base de dezembro e janeiro apresentaram um aumento da diferença negativa entre os reajustes aplicados e a inflação. Fevereiro e março mantiveram medianas iguais às registradas no boletim anterior.

 Ou seja, com dificuldades para fechar na inflação, muitos sindicatos acabaram cedendo diante da crise sanitária (mês com lockdown) e aceitando propostas menores. Assim, o reajuste sem ganho real é registrado pelo décimo segundo mês consecutivo.

Em abril de 2021, 14% das negociações concluídas apresentaram reajuste acima da inflação. Nos últimos 12 meses, 35,3% das negociações apresentaram reajuste acima da inflação; 33,1% foram coincidentes com a inflação e 31,6% abaixo desta. Parte dos reajustes acima da inflação se deu em ambiente de inflação mais controlada.

No boletim divulgado pelo Salariômetro também estão disponibilizadas outras informações relativas às negociações coletivas:

 O total de negociações concluídas no período (janeiro a março) é o maior já registrado desde a Reforma Trabalhista.

Entre os acordos coletivos registrados em abril, 19,3% tiveram prazo superior a 1 ano, mantendo uma relativa estabilidade nos últimos meses. Ao passo que entre as convenções o percentual foi de 18%, o que corresponde a uma forte alta na comparação com os últimos meses.

O PLR médio nos Acordos Coletivos foi de R$ 2.182 (mediana de R$ 850), enquanto nas Convenções foi de R$ 1.321 (mediana de R$ 1.178).

Brasil abre mais de 120 mil vagas em abril

Dados do Caged apontam que o Brasil abriu 120.935 vagas em abril de 2021. O setor de Serviços foi o com maior criação de vagas (57.610). Os demais setores também registraram saldo positivo no mês.

 Excetuando-se o resultado em 2020 (início da pandemia), esse é o quarto resultado positivo em cinco anos para o mês de abril.

Em relação aos meses anteriores, a abertura de vagas arrefeceu em função da adoção das medidas restritivas e do aumento de demissões pelo fim do período de estabilidades nos acordos. Observou-se apenas 1,3 milhão de contratações em abril de 2021, o que representa uma redução de 26%, na comparação com março de 2021.

 De qualquer forma, esse é o quarto mês consecutivo com saldo positivo na geração de empregos, com o saldo total aproximando-se de um milhão de novas vagas (958 mil).

O mês de abril de 2021 tem alguns destaques:

Todos os setores registraram saldo positivo de empregos. Serviços (57.610) foi o que mais gerou vagas.

A Unidade da Federação com a maior perda relativa de vagas foi Alagoas (- 0,93%). Do outro lado, as que mais geraram vagas proporcionalmente foram: São Paulo (0,24%); Minas Gerais (0,33%) e Santa Catarina (0,5%).

O trabalho intermitente registrou saldo positivo de 3.901 postos, enquanto o trabalho em regime parcial registrou saldo positivo de 3.220.

Os desligamentos por comum acordo foram 14.178. Isso representa 1,12% do total de desligamentos.

Até o dia 20 de maio, o Governo contabilizou 1.728.767 acordos do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), segundo informações divulgadas pelo Ministério da Economia. Esses acordos foram fechados por 427.265 empresas e afetaram 1.693.667 trabalhadores.

A maior parte dos acordos (710.908) envolveu suspensão dos contratos de trabalho. Em seguida, estão as reduções de 70% nas jornadas e salários (503.024); as reduções de 50% (328.227) e reduções de 25% (186.608).

O setor de Serviços lidera o número de acordos (930.520), seguido por Comércio (437.186), Indústria (312.047), Construção (29.148) e Agropecuária (4.913).

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